"Ponto Deus" no Cérebro

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"Ponto Deus" no Cérebro

Leonardo Boff, teólogo

Uma frente avançada das ciências, hoje, é constituída pelo estudo do cérebro e de suas múltiplas inteligências. Alcançaram-se resultados relevantes, também para a religião e a espiritualidade. Enfatizam-se três tipos de inteligência.

A primeira é a inteligência intelectual, o famoso QI (Quociente de Inteligência), ao qual se deu tanta importância em todo o século XX. É a inteligência analítica pela qual elaboramos conceitos e fazemos ciência. Com ela organizamos o mundo e solucionamos problemas objetivos.

A segunda é a inteligência emocional, popularizada especialmente pelo psicólogo e neurocientista de Harvard David Goleman, com seu conhecido livro A Inteligência Emocional (QE= Quociente Emocional). Empiricamente mostrou o que era convicção de toda uma tradição de pensadores, desde Platão, passando por Santo Agostinho e culminando em Freud: a estrutura de base do ser humano não é razão (logos) mas é emoção (pathos). Somos, primatiamente, seres de paixão, empatia e compaixão, e só em seguida, de razão.

Quando combinamos QI com QE conseguimos nos mobilizar a nós e a outros.

A terceira é a inteligência espiritual. A prova empírica de sua existência deriva de pesquisas muito recentes, dos últimos 10 anos, feitas por neurólogos, neuropsicólogos, neurolingüistas e técnicos em magnetoencefalografia (que estudam os campos magnéticos e elétricos do cérebro).

Segundo esses cientistas, existe em nós, cientificamente verificável, um outro tipo de inteligência, pela qual não só captamos fatos, idéias e emoções, mas percebemos os contextos maiores de nossa vida, totalidades significativas, e nos faz sentir inseridos no Todo. Ela nos torna sensíveis a valores, a questões ligadas a Deus e à transcendência. É chamada de inteligência espiritual (QEs = Quociente espiritual), porque é próprio da espiritualidade captar totalidades e se orientar por visões transcendentais. Sua base empírica reside na biologia dos neurônios. Verificou-se cientificamente que a experiência unificadora se origina de oscilações neurais a 40 herz, especialmente localizada nos lobos temporais. Desencadeia-se, então, uma experiência de exaltação e de intensa alegria como se estivéssemos diante de uma Presença viva. Ou, inversamente, sempre que se abordam temas religiosos, Deus ou valores que concernem o sentido profundo das coisas, não superficialmente mas num envolvimento sincero, produz-se igual excitação de 40 herz. Por essa razão, neurobiólogos como Persinger, Ramachandran e a física quântica Danah Zohar batizaram essa região dos lobos temporais de "o ponto Deus".

Se assim é, podemos dizer em termos do processo evolucionário: o universo evoluiu, em bilhões de anos, até produzir no cérebro o instrumento que capacita o ser humano perceber a Presença de Deus, que sempre estava lá embora não percebível conscientemente.

A existência desse "ponto Deus" representa uma vantagem evolutiva de nossa espécie homo.

Ela constitui uma referência de sentido para nossa vida.

A espiritualidade pertence ao humano e não é monopólio das religiões.

Antes, as religiões são uma das expressões desse "ponto Deus".

A Psicologia do Poltergeist

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A Psicologia do Poltergeist

Por Fátima Regina Machado* &. Wellington Zangari**

 


O fenômeno poltergeist ou RSPK (psicocinesia recorrente espontânea), como é tecnicamente chamado em Parapsicologia, é ainda um dos mais intrigantes assuntos estudados na área. Esse fenômeno envolve ocorrências físicas tais como chuvas de pedras, movimentação, quebra, aparecimento e desaparecimentos de objetos, pirogenia, aparecimento de água, sons e luzes sem nenhuma explicação "normal" para esses eventos. A Psicologia tem contribuído para o estudo dessas ocorrências propiciando, através de testes psicológicos, traçar um perfil das pessoas que são ou foram agentes desses fenômenos a fim de tentar detectar o que faz com que certas pessoas passem por esse tipo de experiência e outras não. Scott Rogo alerta para a importância do contexto social em que o agente está envolvido, sugerindo a avaliação psicológica de todos os membros da família envolvidos na ocorrência e não só do agente. Ainda não se chegou a um consenso, porém a hipótese de explicação mais aceita é a teoria psicodinâmica, adotada por William Roll e outros. Um fato interessante é que a psicoterapia tem se mostrado eficiente na tentativa de cessar o fenômeno.

Introdução

As raízes da pesquisa psíquica, que mais tarde originou a Parapsicologia, têm suas bases nas ocorrências cotidianas de experiências ou fenômenos que hoje denominamos parapsicológicos. Ainda que J.B.Rhine insistisse em ter a Parapsicologia como um ramo estritamente experimental dentro da pesquisa psíquica (Beloff, 1993), não foi possível desvencilhar a pesquisa experimental da de campo, uma vez que a segunda fornece subsídios e pistas para um bom desenvolvimento da primeira. O isolamento entre ambas resulta em um trabalho estéril ou, no mínimo, pouco produtivo.
Além dessa interdependência entre os tipos de pesquisa, há que se ter em mente a interdisciplinaridade que exige a Parapsicologia. Sendo uma ciência que toca limites de várias outras ciências, é inadmissível que se possa supor que a Parapsicologia se feche em si mesma, sem olhar para os lados e sem que haja imbricação de conhecimentos com outras áreas de pesquisa. Especialmente a Física e a Psicologia estão conectadas aos estudos realizados sobre psi, trazendo conhecimentos que apontam novas hipóteses de explicação dos mecanismos ou de interpretação dos fenômenos ou experiências supostamente parapsicológicas. Neste trabalho, vamos nos ater às contribuições da Parapsicologia para o estudo dos fenômenos poltergeist ou, tecnicamente, RSPK.

 


RSPK: uma válvula de escape?

Poltergeist é uma palavra de origem alemã que se popularizou na época da Reforma, sendo utilizada por Martinho Lutero para se referir à ação de um "espírito brincalhão". Assim, polter significa "barulhento, brincalhão" e geist, espírito. Na verdade, geist também pode significar "mente de alguém vivo", mas de modo geral, esse significado é ignorado. Em Parapsicologia, o termo técnico utilizado para designar os fenômenos poltergeist é "psicocinesia recorrente espontânea" ou RSPK, do inglês recurrent spontaneous psychokinesis. Este termo era utilizado pela equipe do Laboratório de Psicologia da Duke, chefiada por J.B.Rhine, e foi mais amplamente divulgado por William George Roll, psicólogo especialista nos estudos de casos de RSPK que integrou essa equipe de 1957 até meados da década de 1960. Essa denominação está adequada à hipótese de explicação que pressupõe que o fenômeno ocorra devido à ação mental (psicocinesia), seja ela física ou não (1) - o que ainda não foi demonstrado definitivamente - sobre o ambiente de forma repetitiva ou recorrente e não provocada deliberadamente, ou seja, espontânea. Esses fenômenos podem incluir a movimentação, quebra, aparecimento e desaparecimento de objetos, combustão espontânea, vazamentos de água sem nenhum motivo aparente, sons e luzes "misteriosos". (Machado & Zangari, 1994, 1995; Roll, 1972, 1995; Bender, 1976)
Desde o século XVII encontramos registros de algumas poucas investigações feitas sobre casos poltergeist. Porém, nessa época, a preocupação maior das pessoas era combater a bruxaria e a possessão diabólica, pois as ocorrências RSPK eram atribuídas a efeitos de bruxaria ou encantamento ou à intervenção do demônio ou de espíritos maus em nosso mundo. (Machado, 1995)
Nos séculos XVIII e XIX, com o declínio da bruxaria, o desenvolvimento do mesmerismo e do espiritismo, além de outros fatores, as pesquisas começaram se seguir um padrão mais sistemático e rigoroso. (Alvarado, 1983) Apesar disso, não se poderia omitir que inúmeras fraudes flagradas levantaram a possibilidade de que não fosse provável que esse fenômeno pudesse ser genuíno. Supunha-se que tudo não passaria de fraudes bem montadas, com finalidades diversas. Se esta hipótese era confirmada em muitos casos, em outros não encontrava respaldo algum. (Machado, 1994)
Ainda no século XIX, era comum se pensar que a eletricidade - recém descoberta - fosse a responsável por eventos RSPK. Com a explosão do espiritismo nos Estados Unidos e na Europa, outra explicação encontrada por muitos era de que esses fenômenos se deviam à ação de espíritos desencarnados. Essa contraposição entre uma explicação naturalista e outra sobrenaturalista serviu de incentivo ao desenvolvimento de estudos acerca do tema. (Alvarado, 1983)
Neste ponto, pode-se dizer que Freud prestou grande contribuição à tentativa de explicação da RSPK quando formulou a hipótese da existência do inconsciente e descreveu seu possível mecanismo de funcionamento. Ampliando os limites da mente humana, que teria uma parte secreta a ser desvendada, Freud demonstrou - assim como Jung - que há muitas possibilidades humanas ainda não totalmente conhecidas. Isto se reflete nas hipóteses psicológicas que são levantadas para explicar RSPK, e encontram respaldo nas constatações feitas nas pesquisas, ainda que fraudes tenham sido detectadas.
Há evidências de fenômenos físicos nas ocorrências de RSPK. Isto leva a duas perguntas: "Como os objetos podem se mover sem que nenhum mecanismo conhecido seja utilizado?" e "Por que isto ocorre?" Deixemos neste momento de lado a primeira questão que, a princípio, a Física tenta explicar e passemos à segunda, que envolve, em tese, questões psicológicas. (Temos aqui este tom cuidadoso ao delimitar a atuação da Física e da Psicologia porque, naturalmente, tanto as questões físicas quanto as psicológicas devem estar correlacionadas em relação ao fenômeno e, como ainda carecemos de elucidação sobre muitos aspectos dessas ocorrências, convém não sermos categóricos nas afirmações.)
Vários autores, desde o início do século acenaram para a possibilidade de que questões psicológicas estivessem envolvidas no fenômeno de RSPK, fossem eles genuínos ou fraudulentos, através da realização de pesquisas. (Bender, 1969; Bender, 1976; Carrington, 1922; Hasting, 1964; Hyslop, 1913; Machado & Zangari, 1995; Rogo, 1974; Rogo, 1979; Roll & Pratt, 1958; Roll, 1972; Roll, 1995; e outros) Desde a década de 1930, testes começaram a ser aplicados a agentes RSPK para traçar seu perfil psicológico e para verificar se poderiam controlar as manifestações psicocinéticas de acordo com sua vontade. Os resultados não foram muito significativos nesse período. (Alvarado, 1983) Somente em 1958, no entanto, iniciou-se a aplicação mais sistemática de testes psicológicos aos agentes, com a investigação do poltergeist de Seaford, Long Island, realizada por William Roll e Gaither Pratt. Nessa ocasião, Roll iniciou o uso corrente do termo RSPK.
Os testes comumente utilizados na análise desses casos são testes projetivos (TAT e Rorscharch) e de associação de palavras. Da análise de vários sujeitos que passaram pela experiência de ser um agente RSPK, foram colhidos dados que apontaram para um certo padrão. Essas pessoas apresentavam problemas em expressar emoções, especialmente sentimentos de raiva e agressividade. Além disso, passavam por um momento de intenso stress devido a desajustes psicológicos ou de relacionamento. (Não vamos aqui entrar em questões fisiológicas.) Isto significa, portanto, que o agente vivia um momento de tensão. A questão é: se todos nós temos momentos tensos no nosso dia-a-dia, se estamos sujeitos a desentendimentos familiares ou profissionais, por que apenas algumas pessoas fazem com que isto influencie fisicamente o ambiente e outras não?
Críticas são feitas quanto à aplicação dos testes projetivos porque a análise das resposta é muito subjetiva e pode ser influenciada pelo pesquisador que, ao analisar os dados, faz ser comprovada a hipótese psicodinâmica por ele já conhecida. Em geral, o psicólogo que faz a avaliação dos resultados conhece o caso que está sendo investigado. Mais um senão levantado pela crítica: talvez a condição de stress ou os desajustes psicológicos detectados sejam resultado de profecias auto-cumpridoras. (Alvarado, 1993) Não é por isso, no entanto, que se deve descartar a utilização de testes psicológicos para estudar o agente. Propõe-se a utilização de testes mais objetivos, como o MMPI (Minnesota Multiphasic Personality Inventory). Alfonso Martinez Taboas, psicólogo porto-riquenho e pesquisador em Parapsicologia, afirma que, em alguns casos, tendo sido aplicado o MMPI, nenhum tipo de psicopatologia foi encontrado. (Taboas, 1984) As questões psicológicas talvez apontem para um caminho de explicação, mas ainda não constituem respostas definitivas.
De qualquer forma, um aspecto interessante da RSPK, como observa William Roll (1972, 1995) é que os objetos atingidos pelo fenômeno têm uma relação simbólica estritamente ligada à significação dada às ocorrências pelo agente, ainda que, à princípio, ele não se dê conta disso. Para demonstrar essa relação simbólica, Roll (1995) apresenta o caso da menina Tina Resch que, aos catorze anos de idade, foi o centro das manifestações de RSPK que tiveram lugar em sua casa em Columbus, Ohio, em 1984. Roll conta que vários eventos RSPK começaram a ocorrer em um período em que Tina estava muito revoltada com seus pais e passara por várias situações desagradáveis: sua melhor amiga falecera há pouco e Tina rompera com seu primeiro namorado Ela era filha adotiva e tinha ciúme das crianças que seus pais cuidavam como filhos de criação. Todos os fenômenos que ocorreram naquela casa se relacionavam com objetos ou locais ligados aos pais ou às crianças. Quando Tina se apercebeu de que ela era o centro das ocorrências, começou a ser atingida pelos objetos que se movimentavam. Isto ocorreu após a visita de um pastor que deveria fazer orações para livrar a casa de espíritos ruins. Vendo-se como uma pessoa má, Tina teria iniciado um tipo de auto-punição, ainda que inconscientemente. (Roll, 1995)
Os testes psicológicos realizados com Tina confirmavam o que testes com outros agentes já haviam demonstrado: agressividade mal-direcionada e dificuldade de integração no ambiente familiar. Apesar destes resultados apontarem para a confirmação de sua explicação favorita, Roll não deixa de se questionar acerca da interpretação psicológica e das falhas que poderiam estar ocorrendo quanto à avaliação do caso. O fato é que há muitas dificuldades de investigação dos casos RSPK devido à escassez de ocorrências que chegam ao conhecimento de pesquisadores seriamente interessados em conduzir um trabalho sério acerca desse fenômeno. Como o próprio Roll diz, falta ainda uma peça importante a respeito do que faz com que determinadas pessoas sob tensão manifestem RSPK e outras não. E ele aposta que isto esteja diretamente relacionado ao modo de interação agente-meio ambiente.
Scott Rogo, na década de 1970, propôs que a responsabilidade sobre a ocorrência do fenômeno não deveria recair sobre uma pessoa apenas. (Rogo, 1979) É certo que alguém, de alguma forma, está sempre mais diretamente ligado à RSPK, mas se a ocorrência do fenômeno é conseqüência de stress e problemas de relacionamento, então todo o grupo ou a família que convive com o agente deve também se submeter à investigação.
Em um trabalho apresentado na 22ª Convenção Anual da Parapsychological Association, em 1979, Rogo fundamenta suas idéias acerca da dinâmica familiar descrevendo a investigação de um caso ocorrido em Los Angeles entre 1978/79. A todos os membros da família em questão - pai, mãe e filhos - foram aplicados o Rosenzweig Picture-Frustration Test (2) e o Rotter"s Incomplete Sentence Blanck. A avaliação dos testes foi feita por Gertrude Schmeidler, que sabia se tratar de um caso de RSPK, mas não tinha conhecimento de quem respondera cada teste em particular. Os resultados demonstraram que todos os membros daquela família tinham padrões semelhantes quanto à agressividade e dificuldade de relacionamento. Claro que isto não anula a hipótese de que haja um agente central, mas aponta para um caminho que deve ser melhor explorado: "... a personalidade de vários membros de uma família pode desempenhar um papel crucial na ontogênese da erupção de um poltergeist, assim como a personalidade de um suposto agente." (Rogo, 1979)
Em que pesem todas as dúvidas que ainda pairam sobre os aspectos psicológicos do poltergeist, convém lembrar que, se ainda não conseguimos chegar a uma conclusão definitiva sobre como e porque eles acontecem, temos evidências de como fazê-lo parar de ocorrer. A psicoterapia tem se mostrado muito eficaz na cessação do fenômeno. Aparentemente, se o agente resolve problemas internos e toma consciência de emoções contidas, retraídas, abafadas, as ocorrências tendem a diminuir até cessarem por completo. (Bender,1969, 1976; Roll, 1972) Este foi o caso de Annemarie, considerada o agente do Caso Rosenheim, apresentado pela primeira vez ao público em 1969 por Hans Bender. Ela vivia sob forte tensão no local de trabalho, pois não gostava dali. Estranhos acontecimentos se deram no escritório de advocacia onde ela era secretária: movimentação de objetos, comprometimentos inexplicáveis das instalações elétricas e problemas com o telefone. Através de investigações, Bender detectou que Annemarie seria a "responsável" por aquelas ocorrências. Ela se surpreendeu ao saber disso. Ao tomar consciência desse fato, mudou-se de emprego e os fenômenos escassearam até cessar por completo. (Bender, 1976)
Outro exemplo é o caso estudado por Wellington Zangari, ocorrido na periferia de São Paulo em 1987. "...Objetos sumiam para aparecer posteriormente do lado de fora da casa, vultos escuros eram vistos, brisas geladas eram percebidas em determinados pontos da residência e colchões, móveis e roupas eram queimados sem que ninguém tivesse colocado fogo neles. Tudo acontecia às vistas dos moradores da casa (pai, mãe e três filhos) sem que ninguém fizesse o menor movimento. A família, que era espírita, acreditava que tudo fosse causado pela ação de espíritos desencarnados, que agiam por intermédio do filho mais velho, então com 12 anos de idade. Apesar da explicação religiosa encontrada pela família, aceitaram que um pesquisador acompanhasse o caso." (3)
Algumas ocorrências foram diretamente observadas pelo pesquisador Wellington Zangari. Nenhuma fraude foi detectada, o que não significa que todos os eventos fossem genuínos. "Os fenômenos pareciam estar realmente relacionados ao filho de 12 anos. O garoto dizia ser capaz de se comunicar com os vultos que, segundo ele, faziam exigências absurdas: mudar de casa, trocar de carro, deixar o garoto ficar em casa em vez de ir à escola... As exigências eram atendidas, pois a família temia a represália dos espíritos.
O pesquisador verificou que os fenômenos eram utilizados inconscientemente pelo menino, como forma de livra-se de obrigações e também para satisfazer seus desejos e dominar a família. Sendo também psicólogo, o pesquisador iniciou uma terapia familiar com a finalidade de discutir e redefinir os papéis familiares. À medida que o relacionamento familiar foi recuperando o equilíbrio, os fenômenos foram escasseando até que cessaram por completo." (4)
Conclusão
Se ainda há muito o que descobrir sobre RSPK, boas pistas sobre esse fenômeno já aparecem através das especulações em torno de seus aspectos psicológicos. Somente através do investimento em mais pesquisas nessa área, não apenas a nível de casos espontâneos, mas também laboratoriais, é que poderemos lançar mais luzes a respeitos desses eventos intrigantes.
As dificuldades de investigação desse fenômeno se constituem em um obstáculo para que se descubra mais a respeito dos mecanismos envolvidos nas ocorrências, sejam eles físico, psicológicos, ou, psicofísicos. Mas ao invés de deixarmos o estudo desses casos de lado temendo suas dificuldades, devemos investir nosso tempo e esforços para investigá-los da melhor maneira possível, estando abertos às críticas quanto à metodologia e tendo bom senso para aprimorar os métodos de investigação. Assim, mais condições teremos de elaborar experimentos que explorem a psicocinesia de forma mais eficaz. Como diz William Roll: "... as investigações de campo têm uma função valorosa em Parapsicologia - não como um modo de encontrar uma prova científica do fenômeno psíquico, mas como um modo de se ter "insights" sobre sua natureza, que podem, então ser testadas sob condições controladas." (Roll, 1972, p. xvii) "Um poltergeist ativo oferece uma excelente possibilidade para a pesquisa..." (Roll, 1977)

 
 


Notas:
(1) A fisicalidade ou não da PK é matéria de discussão entre os parapsicólogos. O Dr. Rhine estava convencido da não-fisicalidade de PK, embora outros parapsicólogos divergissem dessa proposição. Chales Honorton, por exemplo, sustentou que era muito prematuro assumir a idéia da não-fisicalidade de PK. (Palmer, 1993)
(2) O Rosenzweig Picture- Frustration Test é uma variação do teste HTP (House-Tree-Person).
(3) Dos arquivos do INTER PSI, publicado na Revista Brasileira de Parapsicologia, nº 4, p. 11 e em MACHADO, F.R. & ZANGARI, W. Conversando sobre Casas Mal-Assombradas: O Fenômeno Poltergeist. São Paulo: Paulinas, 1995, p. 42.
(4) Idem, RBP p.11 e MACHADO, F.R. & ZANGARI, W. Conversando... p. 43.
Referências Bibliográficas
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BENDER, H. New Developments in Poltergeist Research. Proceedings of the PA, 1969, 6, 81-102.
__________. A pesquisa moderna do "poltergeist"- A necessidade de uma abordagem sem preconceito. In Parapsicologia Hoje - Organizador: John Beloff. Editora Arte Nova, Rio de Janeiro, 1976.
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DUNCAN, L. & ROLL, W. Psychic Connections: A Journey into the Mysterious World of Psi. New York: Delacorte Press, 1995.
FLAMMARION, C. As casas mal- assombradas. Federação Espírita Brasileira, Rio de Janeiro, RJ, 1980 (Publicado originalmente em francês em 1968)
FODOR, N. On the Trail of the Poltergeist. New York: Citadel Press, 1958.
GAULD, A. & CORNELL, A.D. Poltergeist. London: Routledge & Keagan Paul, 1979.
HYSLOP, J.H. Poltergeist Phenomena and Dissociation. JASPR, 1913, 7, 1-56.
MACHADO, F.R. Um fantasma em minha casa? Uma Introdução aos fenômenos de poltergeist ou RSPK. Revista Brasileira de Parapsicologia, São Paulo, Brasil, 1994, nº 4.
MACHADO, F.R. & ZANGARI, W. Conversando sobre casas mal- assombradas: O fenômeno poltergeist. Paulinas: São Paulo, 1995.
PALMER, J. The Psi Controversy. JP, Vol. 57/nº2, june 1993, p. 185. 1993.
ROGO, D.S. Psychoteraphy and the Poltergeist. JASPR, 1974, 47, 433-446.
__________. The Poltergeist and Family Dynamics: A Report on a Recent Investigation. In W.G.Roll (Ed.), RIP, 1979. Metuchen, NJ: Scarecrow Press, 1980.
ROLL, Willian G. The poltergeist. New York: Nelson Doubleday, Inc., 1972.
______________. Towards a theory for the poltergeist. European Journal of Parapsychology, 1978, 2, 167-200.
______________. Poltergeists. In Handbook of Parapsychology. McFarland and Company, Inc. Publishers, North Carolina and London, 1977.

 
*Fátima Regina Machado : Diretora-Executiva do Centro de Estudos Peirceanos, Membro do Inter Psi, Grupo de Estudos de Semiótica, Interconectividade e Consciência, do CEPE, COS, PUC-SP.
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**Wellington Zangari: Diretor Inter Psi
Grupo de Semiótica, Interconectividade e Consciência, Centro de Estudos Peirceanos, Programa de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica,
PUC-SP
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O QUE VOCE VAI LER AQUI, RARAMENTE CHEGA A SER PUBLICADO NA GRANDE IMPRENSA NO BRASIL, AINDA QUE UM ASSUNTO CONTROVERTIDO NÃO SE PODE SIMPLESMENTE OMITIR, AFINAL OS QUE DEFENDEM SÃO TAMBEM ESPECIALISTAS EM VÁRIAS ÁREAS DO CONHECIMENTO HUMANO, COMO TAMBEM AQUELES QUE CONTESTAM !!!

 


O QUE VOCE VAI LER AQUI, TAMBEM NÃO É PREGADO NAS IGREJAS, OS REBANHOS NÃO ESTÃO PREPARADOS PARA O QUE ESTÁ POR ACONTECER MUITO PRÓXIMO PORQUÊ O REINO DAS TREVAS PREPARA O ÚLTIMO GOLPE USANDO AS ARMAS DESTE TEMPO, O DO CONHECIMENTO, POR TRÁS DE VELHAS HERESIAS ATUALIZADAS EM NOVA ERA, A CENA ESTÁ QUASE COMPLETA, POR TRÁS DA TECNOLOGIA APREGOADA POR DANIEL, OS IMPÉRIOS SE UNEM EM BLOCOS ATRÁS DE UMA NOVA MIRAGEM, TEORIZAM, SE MOBILIZAM EM ACORDOS MUNDIAIS, ATRÁS DO QUE SERIA UMA SOLUÇÃO MATERIAL/ECONÔMICA PARA A HUMANIDADE, A GLOBALIZAÇÃO, MAS POR TRÁS DISTO TUDO É O PANO DE FUNDO PARA O SURGIMENTO DO GRANDE LIDER, "O SALVADOR MUNDIAL", QUE CRIARÁ UMA RELIGIÃO TECNICISTA, FAZENDO GRANDES SINAIS E PRODIGIOS - O ANTICRISTO !

 


Nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor. (Rom 8.39)

Pelo que não temeremos, ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se projetem para o meio dos mares . (Sal 46.2)

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ASPECTO CIENTÍFICO:

JOHN KENNEDY sabia demais ... Voce sabe o que significa o logotipo da NASA referente ao Projeto APOLO ?

Conexão muito enigmática entre Giza / Egito e Cydonia / Marte .

Ligações Geométricas no mínimo curiosas - o misterioso Ângulo de Latitude 0,865 ou 19,5 !!!

O CYDONIA/GIZA MODELO DE RELACIONAMENTO GEOMÉTRICO

Robert Bauval Engenheiro Civil demonstra ligação geométrica notável, entre as 3 pirâmides do Giza e a geometria celestial da " Estrelas De Cinto" na constelação brilhante de Orion .

Afinal a que se refere Orion, segundo a maioria dos Especialistas? Sirius ... O triunvirato Isis, Osiris, Horus ...

Convergências Orion/Leo/ Conexão Do Sirius/ Esfinge/Pirâmides

A relação antagônica do aspecto científico NASA com a obsessão pela Mitologia Milenar Egípcia

O GRANDE MISTÉRIO - Logotipos Apollo 13 - Porquê este envolvimento de um Órgão Científico Governamental com o Enigmático ?

NASA - Projeto Apolo ... Orion / Osíris - Simbolismo bizarro ...

O que tem de Especial na Configuração Celestial Lunar na Primeira Aterrizagem na Lua ?

Segundo a NASA Neil Armstrong tomou o controle manual e "voou" o módulo lunar alem do site de aterrissagem pretendido, supostamente por causa de "rochas." !!! (???) ... Será ? ... Examine melhor:

Leia com atenção as 6 partes do debate de Richard Hoagland com o Astronauta Edgar Mitchell

DEPOIMENTOS impressionantes e JÁ CONHECIDOS de vários ASTRONAUTAS, mas que o povão ESQUECEU ...

Cydonia - Geometria Incontestável - 19,5º - Examine:

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O que está por trás destas fotos alem do óbvio?

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Varginha - O caso mais importante depois de Roswell

 


ASPECTO ESPIRITUAL / CIENTÍFICO:

CYDONIA, MARTE E AS PEDRAS DE FOGO Watcher Website - Declaração de Fé

Cidonya, Marte, e as Pedras De Fogo

ZODÍACO ASTROLÓGICO - Deturpações de Verdades Eternas - (Os Céus Conclamam a Sua Glória !)

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Termo dolescência vem do verbo latino adolescere, que significa, cresce até a maturidade. Usamos essa palavra para designar o período de mudanças que vai dos 10 anos até a maturidade.

Podemos dividir esse período de desenvolvimento em 4 fases :
* Pré-adolescência - dos 10 aos 12 anos ;
* Adolescência inicial - dos 13 aos 15 anos ;
* Adolescência média - dos 16 aos 18 anos ;
* Última adolescência - dos 18 aos 21 anos.

cada fase é caracterizada por certas alterações do organismo e mudanças na personalidade em geral, como os desejos, as necessidades, os interesses, os hábitos...

Já o termo puberdade é empregado para designar o período da adolescência em que ocorre o amadurecimento das glândulas reprodutoras, que é acompanhado do desenvolvimento de certos órgãos, aparecimento de pêlos nas axilas e em torno dos órgãos sexuais, e de outras modificações, que vão, em média, dos 11 aos 13 anos nas meninas e dos 12 aos 14 anos nos meninos.

Enquanto os filhos são crianças, os pais se preocupam quase que exclusivamente com as necessidades fisiológicas deles e estes não têm consciência do alcance dos atos dos adultos, na adolescência, os jovens têm consciência dos papéis que desempenham na família, na escola e na comunidade e julgam a conduta dos pais, professores , autoridades, amigos e outras pessoas, tomando uma posição e assumindo atitudes em relação aos acontecimentos e à forma como são aceitas suas idéias no grupo social em que se encontram. A adolescência é um período de mudanças na personalidade e o jovem não é mero espectador dessas mudanças, ele pode atuar sobre si mesmo, controlando suas explosões, aceitando os pais como eles são, abandonando certos vícios e reforçando certos hábitos importantes para a superação de muitos problemas e realização de muitas tarefas, como o de estudar o de refletir antes de agir, de respeitar as pessoas. Conhecendo-se, ele estará em melhores condições de compreender-se e viver assim, de maneira mais harmoniosa as suas relações. Muitas vezes, a interferência na vida dos jovens, principalmente por parte dos pais e professores, não é bem compreendida ou aceita, porém, é preciso que estejamos sempre abertos ao diálogo, a franqueza, ao amor e ao respeito mútuo.

Dimensões Existenciais Fundamentais na Etapa Juvenil

A adolescência é uma fase de profunda crise existencial. Daí a imprecisão e a instabilidade psicológica do jovem. A infância e a idade adulta, apear da complexidade de sua maneira de ser, são fases evolutivas nitidamente diferenciadas, cuja característica pessoais são muito mais claras e precisas do que as, da adolescência. A característica própria do adolescente é , justamente, não haver estabelecido sua identidade . A raiz mais profunda de sua dificuldade em ser compreendido está na perplexidade com que se encontra diante de si mesmo.

 

1- Quem é o Adolescente?

A adolescência é uma transformação profunda que impõe ao jovem grandes exigências de adaptação, relacionadas com as novas funções biológicas, novas formas de relação interpessoal e novas responsabilidades familiares e sociais.

 

2- Quais São as Mudanças Biológicas do Adolescente?

Até o final da infância, a hipófise, glândula encarregada de regular a atividade de todas as demais glândulas do organismo, começa a estimular os testículos nos rapazes e os ovários nas garotas, com a finalidade de pô-los em atividade; assim pode-se observar no pré-adolescente um aumento progressivo na circulação de hormônios sexuais, que passa despercebido no começo, até que sua concentração é suficiente para provocar mudanças próprias da puberdade, o que normalmente ocorre entre os doze e os dezesseis anos nas mulheres, e um pouco mais tarde nos homens.

A puberdade é a fase em que amadurecem os órgãos reprodutores do indivíduo; manifesta-se nos garotos com o crescimento gradativo dos testículos e do pênis, com a aparição de pêlos na regiões genital e nas axilas, com surgimento de bigode e de barba, com a mudança da voz e com a primeira ejaculação noturna, durante o sono. Apesar de não se conhecer com certeza o início da fertilidade, tudo parece indicar que os primeiros espermatozóides com capacidade d fecundar aparecem por volta dos quinze anos.

Nas meninas, o primeiro sinal da puberdade é o crescimento dos seios e o engrossamento do quadril; pouco depois aparecem os pêlos na região genital e nas axilas, aumentam e modificam-se as secreções vaginais, até que ocorre a primeira menstruação, um ou dois anos após o início deste processo, marcando com esse fato o começo dos ciclos menstruais.

Além das mudanças específicas em cada sexo, os homens e as mulheres adolescentes apresentam outras transformações crescimento assombroso do menino que começa a ganhar peso e de estatura com uma rapidez que deixa os pais admirados, quando eles descobrem que o zíper da calça não fecha e os botões estouram, que a calça comprada há pouco tempo não chega a cobrir a metade das pernas, e o comprimento da blusa não atinge o fim das costelas, a barra da saia fica muito longe dos joelhos e os pés não agüentam os sapatos quase novos. É natural que o ritmo acelerado de crescimento traga um aumento das necessidades nutricionais, e é por isso que o apetite dos adolescentes chega a ser voraz; assim o demonstram a rapidez com que devoram um prato de comida depois de outro, e a perplexidade das mães ao comprovar que o estoque de alimentos da família desaparece como por um passe de mágica.

Corpo também muda sua forma; as extremidades se desenvolvem até o ponto que a cabeça representa uma proporção menor da silhueta total no adulto; desaparece a redondeza do rosto, começa-se a perceber a estrutura óssea e os traços definitivos da face; a pele se faz mais grossa e pálida, aumenta o tamanho dos poros e aparece a gordura na cútis; o cabelo adquire mais pigmentos e resistência, os ossos ficam mais rijos e a dentição completa seu processo de formação com o aparecimento dos últimos molares, por volta dos dezoito anos idade.

As mudanças físicas do adolescente repercutem no seu estado de ânimo, porque, enquanto dura a transição, perde o semblante e as características da criança sem ter ainda adquirido as de adulto, e percebe sua própria imagem como um retrato borrado. Isso provoca no jovem um sentimento de insegurança que o conduz a cuidar, com especial atenção, de sua aparência física. Assim se explicam as horas que passa diante do espelho arrumando o cabelo, ensaiando novos penteados ou experimentando diferentes roupas, assim como a preocupação exagerada por fazer regimes e cuidar da pele.

Alguns problemas físicos como a obesidade e a acne são relativamente freqüentes entre os adolescentes; apesar de não serem graves, merecem especial atenção, pois acentuam neles o sentimento de insegurança e interferem negativamente em seu estado emocional.

 

3- Como é o Adolescente do Ponto de Vista Psicológico?

Comparável à evolução biológica aqui descrita é a transformação do adolescente no plano psicológico, que culmina no domínio das habilidades e destrezas necessárias para viver como um adulto autônomo e independente. Esta é uma fase da vida cheia de riquezas e conquistas importantes, mas também de dificuldades, porque a simultaneidade e a magnitude de tantas mudanças trazem uma desestabilização que comove, em certa medida, o jovem e a família. Para compreendê-la, farei uma descrição das características do adolescente no que diz respeito ao seu desenvolvimento intelectual e emocional e também ao seu processo de inserção na sociedade.

O Desenvolvimento Intelectual do Adolescente

Cérebro atinge seu processo de desenvolvimento durante a adolescência; por isso, nesta idade, o jovem começa a utilizar plenamente suas faculdades mentais e a exercer funções intelectuais que estavam fora do seu alcance poucos anos antes. Assim, por exemplo, adquire a capacidade de pensar o abstrato, ou seja, de refletir sobre os elementos que ultrapassam a realidade imediata e palpável; também pode tomar seu próprio pensamento como objeto de reflexão; considerar todas as possíveis combinações de elementos; analisar várias alternativas de solução para um mesmo problema; distinguir o falso do verdadeiro; confrontar as hipóteses com a realidade e atingir a máxima eficácia na aquisição e utilização de novos conhecimentos. Como resultado de sua identidade definitiva e adquire consciência de sua individualidade. Diferente da criança, cujos interesses estão dirigidos à descoberta do mundo exterior, o adolescente submerge nos seus próprios sentimentos, reflexões e vivências, tentando descobrir e consolidar o que o diferencia dos demais, isto é, o que paulatinamente, vai analisando e reconhecendo suas virtudes, habilidades e limitações, até chegar a aceitar-se tal como é, com os aspectos positivos e negativos da sua individualidade. Ao mesmo tempo, o pensamento abstrato abre para ele o horizonte da reflexão filosófica e o jovem enfrenta pela primeira vez dúvidas transcendentais, tais como : quem sou eu ? Por que e para que existo ? Por que nasci destes pais, nesta família e nestas circunstâncias ? O que desejo fazer da minha própria vida ?. Assim começa o processo de autodeterminação, que consiste em estabelecer um objetivo para a totalidade da sua existência e comprometer-se a atingi-lo; é um processo árduo e difícil, que põe em jogo todos os recursos mentais e emocionais do jovem na consideração de uma grande variedade de opções, no estabelecimento de critérios e prioridades para a tomada de decisões, na adoção de um sistema de valores e na formulação de um código ético; mais adiante, o processo acaba na definição da própria vocação, na eleição de uma profissão e na opção pessoal no campo da fé. O espírito crítico e a inconformidade com a realidade são características típicas do adolescente, que exercita suas habilidades mentais recém-adquiridas na análise e questionamento de tudo o que está a seu redor. Diferente da criança, o adolescente já não se conforma em saber como são as coisas, quer averiguar por que são assim e por que não são diferentes. Nada foge a seu olhar inquiridor; seus pais, sua família, sua escola, as instituições, os governantes e autoridades são um alvo permanente para seu juízo e censura. Isso explica a tendência dos jovens a assumir posições dogmáticas e radicais em matéria de política e a formular opiniões relacionadas com os problemas da humanidade.

No plano intelectual, o adolescente dedica-se a aplicar suas faculdades mentais à análise e ao questionamento do mundo que o rodeia; tentando abranger e resolver diversas perguntas ao mesmo tempo, acaba atrapalhando em suas próprias reflexões. Isso o leva a um estado de ambivalência; sente-se confuso, porém não tolera a confusão e defende-se dela com a formulação de respostas simples e taxativas às inquietudes que o perturbam. Assim se explica sua atitude vacilante entre duas tendências contraditórias: a de questionar tudo para exercer suas novas habilidades analíticas e a de procurar teorias, princípios e valores absolutos para ter vários pontos de referência que permitam a ele continuar suas explorações sem perder o rumo. Por achar-se a ponto de culminar o processo de emancipação intelectual, o adolescente exercita todas a s funções mentais próprias do adulto, ainda necessitando, porém, do apoio de elementos absolutos, tal como a criança que já pode caminhar, porém não se atreve a soltar a mão de sua mãe.

· A Situação Emocional do Adolescente

Por achar-se em um período de transformação acelerada e profunda, o adolescente experimenta uma comoção emocional que repercute em seu comportamento e com freqüência acarreta situações difíceis tanto para ele como para sua família.

Vejamos as principais:

O despertar para a psicossexualidade. Como conseqüência do amadurecimento biológico e a circulação de hormônios sexuais no organismo, o adolescente experimenta um conjunto de sensações, pensamentos, fantasias e emoções referentes à atividade sexual e sente uma forte atração pelo sexo oposto, que conhecemos por despertar da psicossexualidade. É importante ressaltar que este despertar não afeta unicamente os órgãos reprodutores, mas também se projeta ao pensamento e à vida sentimental dos jovens; além disso, durante a adolescência se manifestam as principais diferenças entre os sexos nos aspectos relativos às manifestações específicas da psicossexualidade.
Assim, por exemplo, o rapaz sente-se fortemente inclinado às experiências físicas do sexo, pensa no nu feminino e experimenta sentimento de amor. Por isso o objetivo do desejo no homem pode ser qualquer mulher, mesmo que esteja enamorado de uma jovem em particular. Pelo contrário, a atração sexual na mulher se manifesta em forma sentimental e se reflete em uma tendência ao romantismo, pelo que suas ilusões abrangem as manifestações de afeto, ternura e compreensão, e incluem também um lar e filhos. Além de tudo, seus desejos sexuais estão fortemente ligados ao sentimento e se dirigem à pessoa amada.

A inconseqüência na autovalorização. Por ser uma transformação acelerada e profunda, a adolescência desestabiliza o jovem, que já não se sente criança, sem sentir-se ainda adulto. Assim começa o processo de redefinição de sua própria imagem como conseqüência do processo em que a existente, durante a infância, perde nitidez e se torna nublada durante um tempo, enquanto se consolida a auto-imagem definitiva do adulto.

No plano emocional, esse processo dá lugar a sentimentos contraditórios que oscilam entre desanimado e sente-se incapaz de fazer o que tem de fazer, amanhã se considerar-se-á o mais importante, inteligente, hábil, valoroso e sábio de todos os habitantes do planeta. Esse sentimento flutuante entre os dois extremos é o que conhecemos como inconseqüência na autovalorização, e explica certos problemas relativamente comuns entre os jovens, como tendência à depressão, rebeldia, suscetibilidade excessiva e vulnerabilidade à crítica.

Vale a pena ressaltar que a rebeldia é uma conduta tão freqüente durante a adolescência que é considerada normal nesta fase do desenvolvimento. Isso se deve ao fato de, durante a época em que se vêem a si mesmos como uma fotografia desfocada, experimentam uma necessidade irresistível de afirmar sua própria identidade, porém como ainda não tem definida sua auto-imagem, só podem senti-la por meio da oposição. É como se dissessem : rebelo-me, logo existo, parafraseando o famoso princípio de descartes.

Certa tendência à oposição é saudável e necessária por ser um dos mecanismos que reafirmam a personalidade do jovem.

a ambivalência perante a emancipação. Segundo o dicionário, a palavra emancipação tem sua origem no verbo latino emancipare, que significa liberar a alguém da pátria potestade, da tutela, da servidão ou de qualquer tipo de dependência; neste caso, utilizamos a palavra para nos referir ao processo pelo qual o jovem se libera paulatinamente do controle de seus pais até alcançar a autonomia própria do adulto. Como resultado da inconseqüência na autovalorização, o adolescente tem também uma atitude vacilante diante da autonomia, conhecida como ambivalência ante a emancipação que se manifesta na presença simultânea de dois desejos opostos: o de ser livre e jogar fora a autoridade dos pais, e o fato de amparar-se totalmente à sombra protetora como a mais indefesa das crianças. Além disso, no mundo moderno, o adolescente se vê sujeito à influência de fatores externos que condicionam seu acesso à autonomia de formas muitas vezes contraditórias. Por um lado, o prolongamento da educação, da convivência com os pais e da dependência econômica adia, o momento em que pode cuidar-se por si mesmo; por outro lado, os adultos dizem a ele permanentemente que já não é mais uma criança e exigem dele um nível cada vez maior de responsabilidades. Desse modo, ambivalência perante a emancipação não afeta unicamente o jovem, mas também seus pais, que se sentem confusos e não sabem até que ponto e de que forma podem eliminar os limites e os controles disciplinares que com grande segurança impunham durante a infância.

A luta entre a independência e os obstáculos que se opõem a ela é fonte de angústia e de conflito para as famílias, porque conduz, com alguma freqüência, a uma polarização das pretensões dos pais e filhos e provoca enfrentamentos que fazem mais notória a rebelia dos jovens.
Ó a introversão. Como resultado da orientação de seus interesses em direção a seu mundo interior, a criança tagarela e comunicativa deixa de ser assim para converter-se em um jovem calado, introvertido e em certa medida, misterioso, que se recolhe em si mesmo para explorar este novo mundo, fascinante e sedutor, das suas próprias emoções. Por essa razão, a adolescência é a época do diário, do segredo, da intimidade e do isolamento, como também da incompreensão e da ansiedade para os pais, quando enfrentam respostas tais como:" me deixa em paz"," isso é problema meu", "não se meta comigo ", ou "sai daqui e me deixa em paz ", que interpõem uma barreira entre eles e seus filhos.

Espírito crítico e a inconformidade com a realidade são traços característicos do adolescente, que exercita suas habilidades mentais recentemente adquiridas na análise e questionamento de tudo o que está a seu redor.

A tendência a sonhar acordado é um dos sinais mais evidentes da introversão do jovem e é também um dos comportamentos que mais angustiam seus pais, os quais se desesperam ao vê-lo perder tardes e mais tardes deitado na cama, sem fazer nada : "que você está esperando para fazer alguma coisa que preste ?", "você não enxerga que está jogando fora os melhores anos da sua vida ?", "deixa de ser preguiçoso!"... É importante ressaltar que certo grau de inatividade é necessário para realizar a exploração da própria intimidade e para adquirir a capacidade que permitirá mais adiante seu ingresso na sociedade. Quando o jovem sonha acordado, utiliza sua imaginação para poder ver-se atuando como adulto, realizando diversas atividades, exercendo diferentes profissões, superando todo tipo de problemas. Assim, exercita na sua mente o jeito de reagir diante das situações imaginadas, começa a identificar suas inclinações vocacionais, prevê as possíveis soluções para os problemas que enfrentará quando for adulto e se prepara para atuar como tal quando chegar o momento; além disso, usa seu pensamento abstrato na reflexão sobre sua própria vida e sobre a realidade que o cerca, o que constitui o primeiro passo na definição de suas aspirações e ideais. Por isso, a inatividade e a perda de tempo não são motivo de preocupação quando são moderadas; somente quando o jovem passa todo seu tempo, ou a maior parte dele, deitado na cama ou isolado em um canto, temos de prestar atenção, porque essa conduta pode ser um sintoma de depressão.

a instabilidade e agudização das emoções. O movimento oscilante entre estados de ânimo contraditórios repercute em todas as experiências afetivas do adolescente. Assim podemos explicar a mudança repentina entre sentimentos opostos, tais como : a euforia e a melancolia, o egoísmo e o altruísmo, a presunção e a timidez, a audácia e o temor, a piedade e a crueldade, a arrogância e a vergonha etc. Além disso, os sentimentos e manifestam com maior intensidade nessa etapa da vida; os jovens revelam certa tendência ao extremismo nas suas experiências emocionais. No amor, este é platônico ou arrebatador e irresistível; o enamorado ou a enamorada invade todo o coração e toma por completo a vida do jovem e sua ausência é uma tragédia que perturba o sono, acaba com o apetite, afeta o rendimento na escola e até pode acarretar doenças físicas. Se acontece uma briga, o amor transforma-se em ódio e em rancor tão intensos como o sentimento positivo. Quando o altruísmo e a solidariedade atingem o coração do jovem, ele é capaz de chegar ao mais heróico dos sacrifícios; quando reage com raiva, esta também é violenta e indomável.

Finalmente, e como conseqüência da comoção própria da sua idade, os adolescentes têm maneiras de reagir que não guardam proporção com o estímulo que os provoca. Assim se explicam muitas situações discordantes, como aquelas em que uma piada bem intencionada provoca uma cena de raiva incontrolável, ou o mais simples dos reclamos origina um mar de lágrimas.

A ambivalência, isto é, o movimento oscilatório entre duas tendências contraditórias, é talvez o sentimento fundamental do adolescente, porque nele convivem, ao mesmo tempo, a criança e o adulto, com todos seus desejos, condutas e inclinações misturadas. Daí esse comportamento imprevisível que tanto desconcerta, as mudanças repentinas do seu estado de ânimo, o entusiasmo e a melancolia, o mau caráter, as respostas violentas, as crises de choro, as cenas de raiva, e até as notas ruins. Nossa capacidade para compreender os sentimentos dos filhos durante essa etapa de sua vida determina a possibilidade de oferecer a ele o afeto, o apoio e a orientação que possam ajudá-lo a superar as dificuldades próprias de sua idade. Também a condução adequada da nossa relação com ele aumenta a possibilidade de que sua adolescência transcorra sem grandes tropeços e chegue felizmente à formação de um adulto sadio e equilibrado.

 

 

4- A Sociabilização do Adolescente

Por sociabilização do adolescente entendemos o processo por meio do qual o adolescente aprende a relaciona-se com outras pessoas e a desenvolver-se em grupos cada vez maiores e complexos. É um processo que começa no nascimento, quando o bebê se relaciona com sua mãe, e continua com a extensão gradual do seu vínculo à família inteira, aos amigos da sua rua, aos colegas e professores de sua escola, até que, ao chegar à adolescência, começa a tornar-se independente de seus pais para estabelecer contato com a sociedade no seu mais amplo sentido, preparando-se para atuar nela como um adulto autônomo e independente.

A sociabilização do adolescente é uma experiência comparável a saltar de um trampolim a outro, pois abrange uma ruptura e nova vinculação: ruptura porque pressupõe a emancipação dos pais, e nova vinculação porque conduz à plena integração no mundo dos adultos. Como o acrobata que permanece alguns instantes suspenso no ar, o jovem passa, em transição à vida adulta, por uma etapa de insegurança porque se sente impelido a abandonar o ponto de parida sem ter ainda chegado ao seu destino. Vejamos os principais aspectos dessa transição: a mudança da relação com os pais, o estabelecimento de novas relações pessoais e a integração ao grupo de amigos. Vejamos os principais aspectos dessa transição: a mudança da relação com os pais, o estabelecimento de novas relações pessoais e a integração ao grupo de amigos.

Diferente da criança, o adolescente já não se conforma em saber como são as coisas. Ele quer compreender por que são, como são e por que não são de outra forma.

 

5- Emancipar-se dos Pais

Esta é a etapa da vida durante a qual se experimenta uma necessidade irresistível de rebelar-se contra a autoridade e procurar a independência. Por isso, a criança que há pouco tempo recebia sem questionar as repreensões de seus pais, obedecia seus preceitos e desfrutava de sua companhia, transforma-se de repente em um jovem insubordinado e respondão, que rechaça suas orientações, infringe suas normas disciplinares e prefere andar só ou com os amigos, a compartilhar com seus pais as atividades familiares. Assim começam os conflitos e as diferenças que tanto perturbam pais e filhos e que não são outra coisa além de um sadio processo de emancipação que está em marcha.

Trata-se, pois, de um processo que compreende sois elementos igualmente importante e complementares entre si : a emancipação do jovem e a modificação da função dos pais, muito especialmente no que diz respeito ao exercício da autoridade. A emancipação é uma tensão entre duas forças opostas, o controle dos pais e o desejo do filho para libertar-se dele, que desenvolve-se gradualmente até que desaparece quando o jovem alcança sua independência e sua autonomia na idade adulta. Na verdade, o processo não é tão harmonioso como parece insinuar a definição, pois se desenvolve em meio a dificuldades mais ou menos graves, segundo as características da família, já que os jovens costumam reclamar mais liberdade do que os pais estão dispostos a conceder; além disso, uns e outros sentem-se vacilantes ante as decisões que devem tomar, e os sentimentos de insegurança provocam reações emocionais que intensificam as crises. O certo é que as situações que se resolviam facilmente na infância são fontes de conflitos com os adolescentes, porque não é nada fácil harmonizar as aspirações de pais e filhos em relação à condução da autoridade e da independência. Ao mesmo tempo, a imagem dos pais e sua influência no comportamento dos filhos também muda, porque a relação vertical, baseada na autoridade, transforma-se gradativamente até converter-se em uma interação horizontal, alimentada pelo afeto, admiração e respeito; trata-se de uma mudança promovida pelo desejo de liberdade e originada em uma nova imagem mais humana dos pais e também mais acessível ao filho. Como parte integrante desse processo, o conceito idealizado que o filho tem dos pais nos seus primeiros anos transforma-se gradativamente, até chegar a conhecê-lo e aceitá-lo como são realmente, com suas capacidades e limitações, qualidades e defeitos. A relação afetiva também se adapta à nova imagem: o amor respeitoso da criança em relação aos seus superiores desaparece para dar lugar a sentimentos diferentes, porém não menos profundos e significativos, de afeto e respeito, baseados no reconhecimento dos seus valores reais e do que eles representam em sua natureza humana.

A redefinição da imagem e da relação com os pais está cheia de experiências desconcertantes e dolorosas, porque os jovens costumam realizá-la de forma brusca e implacável. Fazendo alarde da sua recém-adquirida capacidade crítica, vigiam seus pais com olhar inquiridor, sempre prontos a descobrir seus pontos fracos e a acusá-los sem piedade. Também o espírito crítico, somado à luta para obter uma maior liberdade, dá origem à vias-crucis dos conflitos, às desobediências e à rebeldia; daí surgem também os sentimentos de humilhação, vergonha, angústia, raiva, tristeza, confusão e perplexidade, que invadem os pais quando enfrentam os primeiros desafios de seus filhos.

Apesar disso, a humanização da imagem dos pais é necessária, pois permite a estes estabelecer um novo tipo de relação com os filhos e uma nova maneira de exercer a autoridade. Para sermos mais exatos, a autoridade vertical, definida como atributo para mandar e fazer-se obedecer, desaparece e dá lugar à autoridade moral, baseada na identificação dos filhos com os valores e virtudes de seus pais, e na capacidade que estes têm de influencia-los por meio do testemunho, do conselho, da opinião e do encorajamento. Assim, pois, a humanização dos pais exerce um efeito muito positivo, uma vez que coloca ao alcance dos filhos seu exemplo e estimula-os a segui-lo; também essa nova autoridade permanece durante toda a vida, como acontece quando eles, já adultos, procuram seus pais para obter um conselho e se beneficiam dessa sabedoria que só chega com os cabelos brancos.

A ambivalência perante a emancipação não afeta unicamente o jovem, mas também seus pais, que se sentem confusos e não sabem como podem eliminar os limites e controles disciplinares que com grande segurança impunham durante a infância.

 

6- O Estabelecimento das Novas Relações Interpessoais

Ainda que a criança tenha amigos desde pequena, o sentido da amizade muda profundamente durante a adolescência porque, a parir desse momento, as relações interpessoais tem como base um compromisso afetivo. Com efeito, a amizade entre as crianças surge a partir de atividades em comum, como o jogo e o esporte, porém o importante na sua idade é a atividade em si e não as pessoas com as quais compartilham suas ações. Por isso a criança está satisfeita enquanto tem alguém com quem brincar, ainda que os integrantes do grupo mudem com muito freqüência. Ao contrário, a amizade entre os adolescentes é uma relação pessoas específica com determinada pessoa e não com qualquer uma; ademais, é um laço afetivo que envolve os sentimentos positivos ou negativos segundo os eventos da relação, porém sempre intensos, como são o afeto, a melancolia e a solidariedade, ou a raiva, o ciúme, o ódio e a inveja. São três as características fundamentais da amizade entre os adolescentes, {as quais nos referiremos : a empatia, a intimidade e a solidariedade.

  • empatia. Definida como a capacidade de situar-se no lugar do outro e de sentir-se como ele se sente, a empatia está sempre presente na amizade dos jovens porque o adolescente, envolvido em uma crise que o confunde e o desconcerta, enfrentando grandes desafios e invadido por sentimentos perturbadores, precisa relacionar-se com alguém que o escute, que o compreenda e que tenha simpatia por ele, e não existe melhor candidato idade com quem possa compartilhar suas inquietudes e sentimentos, sem risco de ser julgado ou rejeitado.

  • a intimidade. A capacidade de compreender-se mutuamente e o laço afetivo característico da amizade entre os adolescentes faz dessa união uma relação íntima, exclusiva e particular-muito semelhante ao namoro- que une os jovens de um mesmo sexo em um princípio, tanto que adquirem suficiente confiança em si mesmos para estabelecer esse mesmo tipo de relação com uma pessoa do sexo oposto, no que se constitui o primeiro namoro verdadeiro. A comunicação entre os amigos íntimos é intensa porque a confiança que eles tem entre si é suficiente para compartilhar os segredos e abrir sem restrições o coração.

  • a solidariedade. A empatia e a intimidade são atitudes mútuas, porque o jovem brinda-as ao tempo em que se beneficia delas; por isso, nos jovens nascem os sentimentos de altruísmo e solidariedade; eles estão especialmente dispostos a interessar-se pelos assuntos dos outros, desejam ajudá-los, identificam-se com os que sofrem e são capazes de sacrificar-se por eles. A lealdade também está sempre presente nas suas relações com o amigo e em geral é tão incondicional que eles preferem enfrentar uma experiência adversa para si mesmos para não se verem obrigados a delatá-lo.

Amigo íntimo desempenha um papel de extraordinária importância na formação do jovem porque lhe proporciona uma sensação de companhia nos momentos confusos e de desconcerto, que são muito freqüentes nessa idade. Graças à possibilidade de compartilhar seus sentimentos com a pessoa que trilha o mesmo caminho, conta com a compreensão e o apoio de alguém que está tão confuso e desconcertado quanto ele, mas que sabe ao menos exatamente como ele se sente.

A comunicação com os pais geralmente sofre certas perturbações em conseqüência do processo de emancipação. Assim, enquanto o jovem suspira dizendo "não dá para falar com meu pai!", "não adianta falar porque ele não me compreende!", "não resolve falar com eles!", "se eu conto para eles ainda levo bronca!", "por que falar com eles?", Os pais põem as mãos na cabeça e perguntam: " quem entende esse moleque?", "como posso adivinhar o que ele quer ?". Nessa situações, o ouvido atento e receptivo de um amigo oferece-lhe a compreensão e a empatia que acredita não encontrar em seus pais nem em outras pessoas.

 

7- O Pertencer a um Grupo de Amigos

Grupo de companheiros também tem uma função muito importante durante a adolescência, pois proporciona ao jovem um círculo social reduzido e homogêneo, no qual se sente à vontade, reafirmando sua própria identidade, desenvolvendo suas habilidades de interação social e adquirindo o amadurecimento suficiente para integrar-se ao mundo dos adultos; também o círculo de amizades contribui para satisfazer três necessidades básicas do adolescente: definir sua próprias identidade, pertencer a um meio social estruturado e emancipar-se da família.

  • a definição da própria identidade. Como temos visto, a auto-imagem do adolescente se parece a uma fotografia sem foco, cujos traços não apresentam nitidez porque ele está em um processo de redefinição. Pois bem, o fato de pertencer a um grupo de companheiros coloca o jovem diante de uma espécie de espelho, que reflete as características comuns a todos e lhe permitem reconhecer pelo menos alguns elementos do seu próprio perfil. Assim começa a reelaborar progressivamente seu próprio retrato, identificando aos poucos os traços exclusivos e específicos da sua própria personalidade, num processo que dura vários anos.

Ainda que seja fato que todas as experiências do jovem, dentro e fora do círculo de amigos, intervêm no processo para reafirmar sua identidade definitiva, temos de reconhecer que interação com seus amigos, as conversas, os conflitos, as reações emocionais e todos os acontecimentos de sua relação com eles, oferecem-lhe diversas oportunidades para descobrir e consolidar aqueles atributos que o fazem uma pessoa única e diferente das demais. Por isso não vacilamos ao afirmar que o grupo de adolescentes proporciona ao jovem um apoio indispensável, já que ele se acha num processo de redefinição da sua identidade.

  • o pertencer a um meio social estruturado. Lembrando o exemplo do salto de um trampolim a outro, compreendemos os sentimentos de solidão, temor e desorientação que inquietam os jovens quando deixam para trás o mundo das crianças sem ter alcançado ainda o dos adultos. Assim como o acrobata se sente mais confiante e seguro quando está preso a uma corda de segurança, o adolescente também precisa do apoio transitório de um meio social estruturado e a seu alcance, onde poderá desenvolver as habilidades necessárias para interagir com os adultos. Proporcionar esse apoio é, precisamente, a função do grupo de amigos.

Os grupos de adolescentes têm tantas características em comum que formam uma verdadeira cultura com seus costumes e normas de conduta, com seu linguajar, seu modo de vestir, com sua música e seus valores, com seus símbolos e regras de jogo. Pertencendo a um círculo de amigos, que por sua vez faz parte dessa cultura mais abrangente , o jovem sente-se vinculado a um meio social suficientemente amplo para exercer suas habilidades de interação com os demais e, ao mesmo tempo, suficientemente reduzido e homogêneo para sentir-se seguro de sua capacidade em lidar com ele. Isso explica por que uma das necessidades emocionais mais imediata do adolescente é sentir-se aceito pelo grupo de amigos.

  • o apoio para emancipar-se da família. Como já foi visto, a emancipação gera tensão entre as pretensões opostas de pais e filhos; o grupo de amizades intervém de uma forma muito real no processo porque atrai o jovem e o apóia em seus esforços por opor-se aos controles familiares. Isso explica a obstinação com que resistem às pressões dos adultos e mantém o comportamento que os irritam, tais como: ter o cabelo comprido, as roupas desbotadas escutar música em volume muito alto.

É tão importante o apoio do grupo na emancipação do jovem que os pais os vêem dispostos a seguir cegamente os passos das amigos e temem ter perdido toda a sua autoridade. Nestas situações, os pais se sentem em um jogo de cabo em que puxam a corda a um lado enquanto filhos e amigos a puxam para outro, e no qual o troféu é a capacidade de influenciar o adolescente. Apesar de geralmente os pais sentirem-se impotentes e ficarem abatidos por acreditarem ter perdido o jogo, esta sensação é infundada, , pois, quando o ambiente familiar é sadio e afetuoso, a autoridade não se perde, mas se transforma, convertendo-se em ma nova autoridade-horizontal- . O importante é compreender a situação e adaptar-se a ela, substituindo gradativamente o exercício da autoridade vertical pela capacidade de influenciar o jovem apenas pelo exemplo, pelo afeto e pelo conselho.

Porém, não podemos cair na ingenuidade de desconhecer a influência do grupo sobre o adolescente, porque seus amigos apóiam ou atrapalham a tarefa educativa dos pais segundo seu comportamento; se eles adotam ideais nobres, estudam com entusiasmo, praticam esportes e levam uma vida sadia, ele fará o mesmo; quando a situação é inversa, o jovem corre o risco de imitar as condutas incorretas de seus amigos. Isso justifica a recomendação para que os pais conheçam muito bem as amizades de seus filhos , supervisionem-nas e mantenham um bom diálogo com suas famílias, para evitar assim as más companhias.

 

8- A Integração à Comunidade

A sociabilização do adolescente normalmente culmina com sua integração à comunidade, porque como resultado de seu amadurecimento, o egocentrismo da infância vai ficando para trás e dá lugar a novas atitudes de solidariedade, altruísmo e espírito de cooperação que o convertem em membro ativo e responsável da sociedade. Como parte deste processo e com o apoio da uma adequada orientação, o jovem descobre suas aptidões, inclinações e interesses particulares até encontrar sua vocação e escolher uma profissão, por meio da qual dará as contribuição pessoal ao progresso da sociedade.
O primeiro passo nesse processo consiste em terminar de retocar seu próprio retrato até uma auto-imagem nítida e bem definida. Devido à as capacidade de refletir sobre si mesmo, o adolescente toma consciência de seus traços genéticos, aptidões e limitações, qualidades e defeitos; leva também em consideração suas circunstâncias familiares e pessoais, analisa os fatores que incidem em sua vida, avalia suas possibilidades e aceita-se como é, com os aspectos positivos e negativos.

Uma vez definida sua imagem, o jovem procura uma resposta à pergunta: " o que desejo fazer de minha vida?". Esta é sua primeira tentativa de achar um sentido para sua vida, entendido como a capacidade de estabelecer um objetivo para a totalidade da sua própria existência e comprometer-se a alcança-lo. O que acontece é que o homem, por ser único, tem uma missão intransferível no contexto da criação e intui a possibilidade de ser o que só ele pode chegar a ser; por isso deseja distinguir-se dos demais e realizar-se no que tem de exclusivo e particular.

Mas adiante, à medida que se aproxima a idade adulta, tem a faculdade de orientar sua formação em uma direção voluntariamente determinada; isto é, por meio de sua razão e sua vontade, pode modificar o determinismo dos fatores hereditários, ambientais e educativos para atingir o objetivo de ser tal como ele deseja, devido a suas faculdades que o capacitam para vencer as circunstâncias adversas de sua vida e para aperfeiçoar ao máximo seus valores e aptidões. Assim o demonstram muitas vidas exemplares que, apesar de graves limitações e em meio a circunstâncias as mais desfavoráveis, têm atingido níveis inesperados de superação pessoal.

No plano da sociabilização, a adolescência marca a etapa em que o jovem solta a mão de seus pais para caminhar sozinho na vida. É uma etapa cheia de experiências enriquecedoras, apesar de todos os problemas, porque a tensão da emancipação, o encontro dos amigos íntimos, a influência do grupo de amizades e o contato do jovem com o mundo exterior perturbam sua relação com os pais, dando lugar a muitas incompreensões e conflitos.

Em certa medida, a condução da situação por parte dos pais determina a severidade dos conflitos, pois em geral os problemas são simples e momentâneos quando o jovem cresce cercado do afeto de seus pais, em um meio familiar sadio e com uma dose devidamente equilibrada de controle e liberdade. Porém o equilíbrio não é tão fácil de ser obtido, uma vez que é a decorrência de um conjunto de decisões tomadas diariamente e que se baseiam em critérios e em situações em permanente mudanças, devido à necessidade de adequá-las ao grau de amadurecimento do jovem.

Este, tal qual uma pipa, exige mais e mais vôo: entretanto, quem tem a responsabilidade de seu vôo; não pode permiti-lo de uma só vez, estando sempre alerta para puxar ou soltar a linha segundo o que observa a cada instante, e de acordo com a direção e intensidade do vento.

Somente quando tiver alcançado suficiente altura e estabilidade poderá ser solta toda a linha para deixá-lo voar à vontade. Como o dono da pipa, os pais se vêem obrigados a decidir todos os dias e muitas vezes por dia, de acordo com as características específicas de cada situação, se concedem ou exigem, se permitem ou proíbem, se ampliam ou restringem a liberdade de seu filho, até que este alcance o amadurecimento necessário para dirigir seu próprio destino.

 

9- As Necessidades do Adolescente

As principais necessidades do adolescente, cuja satisfação oportuna o distancia do perigo das drogas:

  • O adolescente necessita sentir o amor de seus pais porque o calor de seu afeto nutre o sentimento de amor do filho, da mesma maneira que os alimentos nutrem seu organismo.

  • O adolescente necessita de um lar aconchegante e estável; um ambiente seguro no qual possa abrigar-se, para restabelecer a calma de seus sentimentos perturbados pela crise

  • O adolescente necessita de fé, de ideais e de um sistema de valores que lhe permitam encontrar e realizar algo que dê sentido para sua vida.

  • O adolescente necessita também da orientação e apoio de seus pais para avaliar situações, tomar decisões, ser fiel às suas determinações, consolidar seu próprio sistema de valores e realizar seus ideais.

  • O adolescente necessita ter um lugar com privacidade onde possa recolher-se para explorar seu mundo interior.

  • O adolescente necessita de pais compreensivos, dispostos a escutar suas confidências, compreender seus sentimentos, perdoar suas falhas e ajudá-lo a corrigi-las.

  • O adolescente necessita ter oportunidades para exercer sua liberdade; porém, também precisa de controle para estabelecer os limites que ainda não é capaz de fixar e respeitar por si mesmo.

  • O adolescente tem necessidade de pertencer a um grupo de amigos sadios, alegres e entusiastas, com quem possa compartilhar as atividades comuns à idade e dar um salto para a vida adulta em um ambiente livre de vícios e de perigos.

  • O adolescente necessita de momentos que lhe propiciem a canalização de suas energias trasbordantes no esporte e no lazer.

Desconcerto, confusão, angustia, perplexidade, indecisão, preocupação e insegurança são alguns dos sentimentos que invadem os pais quando percebem os primeiros sinais da adolescência sem seus filhos.

Falamos de crise da adolescência por ser esta uma fase do desenvolvimento que perturba e desestabiliza o jovem; porém, seus pais também entram em crise, pois repentinamente sentem-se inseguros de sua forma de reagir e sentem-se perdidos em uma verdadeira avalanche de perguntas, inquietudes, surpresas, decisões e situações imprevisíveis. É uma sensação comparável à de andar em um terreno movediço, depois de ter caminhado sobre pedras por um longo trajeto, isto é, agora não há lugar seguro, qualquer decisão constitui-se num risco, tudo é confuso, não se vê um rumo definido...

A crise afeta também a família pois perturba a harmonia nas relações e surge assim o conflito. Ficam para trás os anos de tranqüilidade e chega a hora em que o filho experimenta sua independência, prescindindo da companhia dos pais e opondo-se a suas decisões; chegam também os desenganos, as permissões preocupantes e as noites de insônia; até que finalmente surgem os enfrentamentos, as rejeições, as respostas desafiantes, as birras, o comportamento arredio, os dias tensos e sombrios.

A gravidade desta crise oscila muito em função do temperamento do jovem e de seus pais, da qualidade da família e das características do meio social. Felizmente, são mais freqüentes os casos nos quais a adolescência transcorre sem maiores problemas porque as dificuldades do processo não chegam a ser graves; mas também há outros em que os conflitos rompem os vínculos afetivos e acarretam situações seriamente destrutivas e irreversíveis, uma das quais, precisamente, o tema que nos ocupa: a dependência das drogas.

Uma educação adequada do adolescente por parte dos pais reduz a severidade da crise e evita muitas de suas dificuldades.

 

TEXTO DE UM OUTRO AUTOR PARA COMPARARMOS

A adolescência é o período mais importante do que em qualquer outra fase da vida, é quando o adolescente forma convicções a respeito da sua identidade".
Nesse período ,o adolescente é influenciado por valores sociais, pela televisão que incentiva o consumo e a liberdade e apresenta mensagens ambíguas sobre moralidade e controle, etc. Esses fatores afetarão a formação de sua identidade.
A tecnologia veio facilitar a comunicação e assim um conjunto de novos elementos sociais como a linguagem, a moda, o tipo de musica, dança, os ídolos do cinema, da televisão, dos esportes, etc poderão contribuir para a formação do adolescente, denominada por Merval Rosa como sendo: "cultura adolescente".
Os adultos têm dificuldade em acompanhar o processo educativo do adolescente pelo viés das informações que estes adquirem pelos meios de comunicação. Isso os leva a uma má interpretação e incompreensão dos adolescentes, gerando ansiedades e conflitos.
"Em certas ocasiões ,a única solução pode ser a de procurar o que Erikson (1981) chamou uma identidade negativa, baseada em identificações com figuras negativas mas reais. É preferível ser alguém perverso, indesejável, à não ser nada .Isto constitui uma das bases do problema das turmas de delinqüentes, dos grupos de homossexuais, dos adeptos às drogas, etc. (...)
A conduta do adolescente tem coerência e lógica. Ele está lutando para estabelecer sua identidade e, para consegui-la, ele enfrenta muitas dificuldades e precisa elaborar verdadeiros processos de luto por situações infantis perdidas.
Ao deixar de ser criança, o jovem perde seu corpo infantil que não tinha as exigências sexuais do atual, perde também aqueles pais protetores que satisfaziam suas necessidades de criança, perde ainda sua identidade e papel infantil que representava para ele uma situação confortável de dependência e irresponsabilidade. Isso tudo é muito duro e sofrido para o adolescente; contudo, também o é para seus pais que vão ter que reconhecer que estão envelhecendo e mais perto da morte. Essa é, em geral, uma das razões pelas quais em nossa sociedade procura-se prolongar, de várias maneiras, o período adolescente.
Erikson (1976 ) afirma que a sociedade impõe ao jovem uma "moratória social ", fazendo com que o período de preparo para a adultez seja cada vez mais ampliado.
Estar em conformidade com o meio significa para o jovem submeter-se e resignar-se, atitudes que ele não admite e que eqüivaleria a deixar de ser jovem. ANNA FREUD (1976 )havia assinalado que devemos duvidar da saúde mental de um adolescente que se conduza como um adulto, segundo o critério conformista e estereotipado dos adultos. ERIKSON também considerava a chamada "adolescência adulta" um desvio. As pessoas devem ser capazes de viver e desfrutar sua própria idade com os altos e baixos da mesma, suas satisfações e pesares (ERIKSON, 1976).
Segundo MINAYO (1993), a década de 80 foi a chamada "década perdida ", pois penalizou sobretudo os menores do país, destacando aí os adolescentes. A renda econômica concentrou-se ainda mais em grupos privilegiados, e a pobreza, em termos absolutos, aumentou em todas as regiões do território nacional, acentuando o problema social.
Neste contexto, são agravados diversos problemas sociais como a miséria, sub-moradia, doença, analfabetismo, desemprego, etc., colocando os adolescentes como principal alvo das "mazelas da sociedade capitalista", pelo descaso das autoridades competentes diante da situação.
Os adolescentes empobrecidos, passam então a disputar o mercado de trabalho.
Com isso a atividade escolar passa a segundo plano, isto quando a desenvolve.

Devido a conflitos familiares (separação dos cônjuges) em algumas situações, os adolescentes, ficam sem suporte emocional, sem perspectiva de uma condição de vida saudável, assumem para si a delinqüência e consequentemente, a sua "marginalização".
Ameaças à convivência familiar e comunitária, também podem coloca-los numa situação de risco, pois sendo a família a célula mater da sociedade, fica claro que se a mesma vir a não ter suas necessidades atendidas, tal situação repercutirá negativamente no desenvolvimento do adolescente, até porque estes criam expectativas muitas vezes não alcançáveis.

O adolescente se encontra cada vez mais estigmatizado e esquecido, no meio de tantos. O país sofre com o problema da migração, surgindo deploráveis problemas políticos, sócio-econômicos, com o aumento da população tanto de imigrantes, como brasileira.
Para enfrentar isso, há um desenvolvimento extraordinariamente rápido dos meios de transportes, comunicação, tecnologia, etc..., e cada vez mais, o homem tem que disputar entre eles mesmos e com as máquinas, meios e formas de sobrevivência.
Em meio à essa luta, o núcleo familiar é o mais atingido, emergindo aí um dos fatores de risco aos adolescentes, pois quando não ficam abandonados em suas casas ou na rua esses também fazem parte integrante nessa luta pela sobrevivência, ficando vulnerável à outros inúmeros fatores de risco à sua vida.
Para os mesmos autores citados, "os fatores de riscos são elementos com grande probabilidade de desencadear ou associar-se ao desencadeamento de um determinado evento indesejado, ou maior chance de adoecer ou morrer'' .
Ao enfrentar esses eventos indesejáveis, eles poderão apresentar diversos comportamentos muitas vezes não aceitos pela sociedade, como sendo normal.

* Distúrbios alimentares, desnutrição;
* Violência na família, desagregação familiar;
* Síndrome pós-trauma e pós perda;
* Distúrbios afetivos e distúrbios de conduta;
* Depressão e ansiedade;
* Distúrbio de personalidade e de pensamento, idéias suicidas e homicidas; * Evasão escolar, distúrbio de aprendizagem;
* Uso de drogas álcool e outras substâncias tóxicas;
* Prostituição, incesto, abuso sexual;
* Doenças sexualmente transmissíveis e AIDS;
* Gestação precoce e não-protegida;
* Abandono, maus tratos;
* Trabalho inadequado com riscos de acidentes, poluição, sobrecargas de horários, etc...
* Traumas , acidentes, violência física, extermínio, morte precoce."

As situações de risco às quais os adolescentes encontram-se geralmente expostos, são ao mesmo tempo, fatores de violências.

Finalizãção

Infelizmente, um futuro tão obscuro não deixa lugar para o otimismo, pois se o analisamos com realismo não vemos esperança e se a vemos, temos medo de ter perdido o contato com a realidade. No desejo de mudar a visão fatalista do problema para um enfoque objetivo, contando também com a esperança, temos lido e refletido muito, fixando nossa atenção nas possibilidades de atuar para preveni-la. Por sorte, encontramos abundante literatura sobre o tema, que assinala vários elementos comuns, identificados na maior parte das pesquisas, os quais podemos tomar como chave para abordar o problema. Por sorte, também, muitos desses elementos pertencem à realidade familiar dos jovens e, portanto, os pais têm a possibilidade de intervir neles.

Uma das conclusões fundamentais das nossas reflexões, a mesma que de numerosas publicações sobre o tema, é que a droga está no meio e o contato dos jovens com os agentes que a induzem é praticamente inevitável; por esta razão, a única prevenção eficaz é fortalecer sua personalidade e seu caráter, desenvolvendo neles valores, atitudes e habilidades que, como os anticorpos no organismo, permitam a eles se defender do perigo. Porem, o fortalecimento da personalidade não é suficiente para proteger o jovem da dependência, pois a imprecisão relacionada com a forma de enfrentar o perigo pode levá-lo a consumir drogas simplesmente porque a pressão perante uma situação inesperada impede que o jovem possa reagir de maneira adequada e oportuna. Por isso, é preciso, preparar o jovem a partir da infância.

Mas, infelizmente, a capacidade de reduzir os perigos da dependência às drogas não garante que possamos eliminá-los totalmente, e alguns jovens chegam ao vício apesar de terem recebido uma educação equilibrada e afetuosa. Assim, é preciso estar atento, pois, os pais, sim, podem atuar para proteger seu filho das drogas.

Bibliografia Sugerida

1. O que está acontecendo com o meu corpo ?- Lynda madaras e dane saavedra- especial para os meninos;
2. O que esta acontecendo com o meu corpo ?- Lynda madaras e dane saavedra- especial para as meninas; ed. Marco zero-sp
3. O adolescente por ele mesmo- Tânia zagury-ed.record-sp
4. Professores para que ?- George gusdorf-ed.moraes-sp
5. Orientação familiar- Maurício knobel-ed.papirus-sp
6. Texto também tirado da hp do prof. Freitas

Calendários e o Fluxo do Tempo

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CALENDÁRIOS E O FLUXO DO TEMPO

Horas são definidas com o uso de relógios atômicos, de altíssima precisão, mas o calendário continua relacionado a fenômenos astronômicos, como a rotação da Terra e seu movimento em torno do Sol.

O calendário é um sistema de contagem de dias inteiros que deve manter sincronia com algum ciclo relevante da natureza, para o controle quantitativo da passagem do tempo a longo prazo. Ele se concretiza na folhinha de parede, nas agendas etc. O nome vem de "calendas" que era o primeiro dia do mês para os romanos. Uma promessa para as calendas gregas só seria paga no dia de São Nunca. Em geral, todos os calendários são astronômicos, isto é, baseados no movimento aparente de astros. O movimento diurno do Sol define o dia solar cuja duração, na média anual, corresponde às 24 horas dos relógios comuns. Desde sempre ele regulou nosso descanso e atividade, a ponto de termos incorporado o ciclo circadiano. A contagem de intervalos de tempo mais curtos que o dia é feita por subdivisões como a hora, o minuto e o segundo de tempo, com instrumentos como a clepsidra, a ampulheta, o relógio ordinário etc.
Mas as atividades humanas básicas, tanto práticas (cultivo da terra, criação de rebanhos, caça) quanto religiosas, demandam o controle da passagem do tempo a prazos mais longos. Para definir um conjunto natural de dias, os homens se valeram de outros movimentos aparentes. No movimento anual em relação às estrelas fixas e ao longo da eclíptica, o Sol cruza periodicamente o equador celeste, fato que define o ano das estações ou ano trópico de 365,2422... dias.
Em aproximadamente 12 anos, Júpiter dá uma volta na esfera celeste. A menos dos laços com movimento retrógrado devidos à translação da Terra, a trajetória de Júpiter na esfera celeste se assemelha à eclíptica, e foi dividida pelos chineses em 12 mansões celestes. Júpiter reside numa delas cada ano. Sob a influência dos mongóis (séc. 8), cada mansão recebeu o nome de um animal que rege o ano chinês. O ciclo das fases da Lua, cujo período é o mês sinódico (29,53... dias), é um ciclo de mudanças do aspecto da Lua iluminada pelo Sol e vista da Terra. Há um movimento aparente correlacionado com as fases, mas ele é relativo ao Sol, não às estrelas fixas.
O calendário islâmico é lunar, pois o mês nele definido mantém sincronia com as fases da Lua, mas não o ano em relação ao ano trópico. O período sinódico de Vênus com aproximada- mente 584 dias (583,92 dias), foi empregado no calendário maia. Durante uma metade desse período, Vênus é um astro matutino e durante a outra, vespertino. Mas o período de visibilidade como astro matutino ou vespertino é aproximadamente igual ao período da gestação humana. Talvez daí decorra a importância atribuída a esse planeta. Os maias sabiam que a cada 5 ciclos de 584 dias de Vênus, as aparições desse planeta voltavam a se repetir nas mesmas datas do ano. Com efeito, 584x5=2920=365x8, ou seja, cinco períodos sinódicos de Vênus correspondem a 8 anos de 365 dias. Seria, porém, muita coincidência que esses períodos astronômicos fossem múltiplos inteiros exatos do dia solar médio. Quase sempre, eles envolvem uma parte fracionária.
O problema técnico do calendário é que, para ser prático, deve definir um período com um número inteiro de dias. Mas, esse período deve manter sincronia com um período astronômico que, geralmente, envolve uma parte fracionária do dia. A solução requer, de um lado, a determinação cada vez mais precisa da parte fracionária. De outro, uma representação aproximada, mas satisfatória dessa parte fracionária por meio de uma série finita de frações ordinárias. É essa série que prescreve as regras de inserção de um dia inteiro no calendário para manter a sincronia.
O tempo hoje é controlado por relógios atômicos, cuja regularidade, baseada num fenômeno eletromagnético, é maior que a regularidade da rotação da Terra (fenômeno inercial) e da translação dos planetas ao redor do Sol (fenômeno gravitacional). No entanto, continuamos usando um calendário que ainda alude a fenômenos astronômicos, como que cumprindo o que Deus disse no quarto dia da criação: "Façam-se luzeiros no firmamento dos céus...; sirvam eles de sinais e marquem o tempo, os dias e os anos". (Gênesis, I, 14).
Num calendário, a parte técnica, por ser racional, pode ser facilmente explanada. Mas há também elementos históricos e culturais, velhas tradições, superstições, designações obsoletas, equívocos, expressões de conhecimento incompleto dos antigos etc. Aqui trataremos também desta parte, pois ela explica muitos elementos obscuros e pouco lógicos do nosso calendário.

Calendários antigos
Dentre os calendários primitivos conhecidos, poderíamos falar do babilônico (sumério, assírio e caldeu), egípcio, chinês, hindu, hebraico, grego, maia, asteca, inca etc. Limitemo-nos ao calendário
egípcio que está na origem do nosso. Na versão mais primitiva, o ano tinha 12 meses de 30 dias, totalizando 360 dias. Ainda no período pré-dinástico, por volta de 4200 a.C., foi criado um calendário lunar com 12 meses: 6 com 29 e 6 com 30 dias, totalizando 354 dias. O mês, em média, tinha 29,5 dias, uma boa aproximação para o mês sinódico. Um 13o mês era acrescentado cada 3, às vezes 2 anos, a critério dos vigilantes sacerdotes e astrônomos, para sincronizar esse calendário com o nascer helíaco de Sirius (Sótis para os egípcios), a mais brilhante estrela noturna.
Esse evento denominado Iniciador do Ano, coincidia com a chegada da cheia do rio Nilo, em sincronia com as estações do ano.
RELÓGIOS ATÔMICOS marcam o tempo com precisão inédita na história. Na versão primitiva, o calendário egípcio, base do gregoriano, teve 12 meses de 30 dias somando um ano de 360 dias.
Por volta de 2900 a.C. foi oficializado um calendário com 365 dias. Mas o ano propriamente tinha apenas 12 meses de 30 dias (360 dias) divididos em três quadrimestres correspondentes às três estações regidas pelo Nilo: Cheia, Plantio e Colheita. No fim do 12º mês eram acrescentados cinco dias suplementares que não entravam no cômputo oficial dos dias. Esse era um calendário solar e o mês nele não mantinha sincronia com as fases da Lua. Mas um novo calendário lunar foi criado por volta de 2500 a.C. que procurava manter sincronia com o ano civil de 365 dias.
Nessa época estiveram em vigor três calendários: os dois últimos e o antigo calendário lunar regulado pelo nascer helíaco de Sirius.
Apesar de não manter sincronia com o ano trópico, o calendário solar com 365 dias ficou em vigor por mais de 4 mil anos, até mesmo depois da reforma juliana. Com base no nascer helíaco de Sirius, logo foi possível constatar que esse calendário ficava adiantado um dia a cada quatro anos, em relação ao ano trópico, de modo que uma duração mais precisa do ano seria (365+1/4) = 365,25 dias. Sendo supostamente a discrepância 0,25 dia, o número de anos desse calendário para acumular um erro igual a 1 ano de 365,25 dias é 365,25/0,25 = 1461 anos. Esse é o famoso "período sótico" de Fênix, ao cabo do qual essa ave mítica se imolava na pira do altar em Heliópolis. Das cinzas nascia uma outra Fênix para o período seguinte.
Na época da fundação de Roma (753 a.C.), o calendário, de tradição etrusca, era bizarro e pouco prático. Tinha apenas 304 dias, distribuídos em dez meses: quatro com 31 dias e seis com 30 dias. O ano começava no mês de março com 31 dias e terminava em dezembro com 30 dias. A seqüência do número de dias dos meses era: 31, 30, 31, 30, 31, 30, 30, 31, 30 e 30. Esses meses não tinham relação com as fases da Lua. Os quatro primeiros meses tinham nomes próprios. A partir do quinto mês o nome era o seu número ordinal, de modo que o último mês, o décimo, era dezembro. O começo do ano em março estava relacionado com o começo da primavera no hemisfério norte. Os dias faltantes para o ano trópico, cerca de 61, eram desconsiderados. Correspondiam ao inverno quando não havia produção que devesse ser levada em conta.
Mas, já antes da fundação da República (509 a.C.), dois meses foram colocados no final do ano: janeiro e fevereiro, e o número de dias do ano deveria passar a ser 354. Esse número era baseado na tradição dos calendários lunares com 12 meses: seis com 29 dias e seis com 30 dias. O ano ficou com 355 dias porque aos deuses romanos agradavam os números ímpares! Dos 51 dias acrescentados, o mês de janeiro ficou com 29 dias e fevereiro com 28, sendo que seis destes provinham de um dia tirado de cada um dos seis meses que tinham 30 dias. A seqüência do número de dias dos meses, de março a fevereiro, ficou: 31, 29, 31, 29, 31, 29, 29, 31, 29, 29, 29, 28. O ano do calendário tinha agora uns dez dias a menos que o ano trópico. Para manter a sincronia com o ano trópico, foi criado um mês de 22 dias, Mercedonius, que era introduzido entre 23 e 24 de fevereiro, a cada dois anos. Mas assim, o ano do calendário ficou mais longo que o ano trópico.
JÚLIO CÉSAR: reforma para evitar interferências políticas.
Tendo perdido o controle do calendário, a intercalação de Mercedonius passou a depender da decisão de oficiais do governo que se prevaleciam disso para favorecer os amigos. Esta era a situação nos tempos de Júlio César (100-44 a.C.). Para assessorá-lo na reforma, mandou chamar o astrônomo alexandrino Sosígenes.
Na reforma em 45 a.C. (ano 708 da fundação de Roma), dez dias deveriam ser adicionados ao calendário. Janeiro, agosto e dezembro ganharam dois dias. Abril, junho, setembro e novembro ganharam um. Também ficou estabelecido que o novo ano começaria em 1o de janeiro, em vez de 1ºde março. Assim, os meses de janeiro e fevereiro passaram a começar o ano. O número de dias dos meses, de janeiro a dezembro, ficou: 31, 28, 31, 30, 31, 30, 31, 31, 30, 31, 30, 31. O dia adicional do ano bissexto deveria ser inserido no mês de fevereiro que tinha 28 dias. Se fosse no fim desse mês, seria o dia 29, número ímpar. Mas sendo fevereiro um mês dos deuses subterrâneos do inferno, seu número de dias deveria continuar par. Então Júlio César fez o dia 24 de fevereiro se repetir duas vezes, sem contá-lo da segunda vez. O fato de esse ser o sexto dia antes das calendas de abril, deu origem ao nome bissexto.
Também ficou estabelecido que o equinócio da primavera (no hemisfério norte) cairia no dia 25 de março. Para promover o acerto, o ano da reforma teve 455 dias e foi chamado o "ano da confusão". O calendário juliano é solar. Nele, o mês não mantém sincronia com as fases da Lua.
A semana é hoje adotada quase universalmente. Mas, por volta de 2500 a.C., o calendário lunar dos egípcios era dividido em décadas (dez dias). A origem do descanso semanal parece estar ligada aos babilônios que consideravam o número sete nefasto, de modo que nada devia ser feito no sétimo dia. Também eram sete os planetas na acepção primitiva, pois assim os antigos designavam os astros permanentes visíveis a olho nu, que se deslocam em relação às estrelas fixas. Teriam, portanto, dedicado cada dia da semana a um desses astros. Essa tradição foi assimilada pelo povo hebreu durante o cativeiro na Babilônia (587-538 a.C.).
Trazida para o Ocidente, talvez no período alexandrino, a semana somente adquiriu status oficial no Concílio de Nicéia em 325.
Os dias da semana eram originalmente designados pelos sete planetas, nesta ordem: Sol, Lua, Marte, Mercúrio, Júpiter, Vênus e Saturno. A língua portuguesa foi uma das que mais se afastou das designações primitivas, e as línguas anglo-saxônicas introduziram designações nórdicas.
Por fim, o dia do Sol foi cristianizado e denominado domingo, Dia do Senhor (Dominica dies). O dia de Saturno foi chamado sábado, numa referência ao sabá judaico em que Deus descansou ao completar a criação (Gênesis, II, 1-3). Mas, diversamente dos judeus, sabatistas e adventistas do sétimo dia, os católicos descansam no domingo porque Cristo ressuscitou num domingo.

Calendário gregoriano
O Concílio de Nicéia também estabeleceu as regras para definir a data da festa móvel da Páscoa. Várias outras celebrações atreladas à Páscoa também são móveis, como o Carnaval, a 4a. Feira de Cinzas, o Domingo de Ramos, a Sexta-Feira Santa, o Domingo de Pentecostes e Corpus Christi. Já no ano do Concílio, estando em vigor o calendário juliano, o início da primavera não ocorria em 25 de março, como pretendera Júlio César, mas no dia 21. A diferença era, portanto, de quatro dias. A Páscoa deveria ser celebrada no primeiro domingo depois da lua cheia que ocorre após ou no dia 21 de março, quando supostamente começaria a primavera no hemisfério norte.
O ano do calendário juliano era mais longo que o ano trópico 365,25 - 365,2422... = 0,0078... dia. O erro acumulado era 0,78 dia por século ou um dia cada 128 anos. Hoje podemos saber que o erro acumulado até o Concílio de Nicéia não podia ultrapassar três dias. Portanto Sosígenes teria cometido um erro adicional de um dia já na implantação da reforma. Mas, sem saber da verdadeira duração do ano trópico, os membros do Concílio atribuíram todo o erro de quatro dias a Sosígenes, e decidiram adotar 21 de março para o início da primavera, como se daí para a frente o calendário mantivesse essa data indefinidamente. Ledo engano. Um novo descompasso de mais de três dias, a partir do Concílio, já foi notada em 730 pelo beneditino inglês, o Venerável Beda. Embora a imprecisão do calendário fosse óbvia e o descontentamento justificado, ainda não se conhecia bem a duração do ano trópico para se promover uma boa reforma.
Beda foi o introdutor da sigla A.D. (anno Domini), mas a era cristã foi adotada pela Igreja em 532 por sugestão do monge Dionísio, o Pixote, e pela sociedade secular, pela primeira vez, na época carolíngea (século 9). Era é o instante igual a zero (não existe ano zero) escolhido para iniciar a contagem do tempo, por exemplo, a suposta data da criação do mundo segundo os judeus (3761 a.C.), a fundação de Roma (753 a.C.), o início das Olimpíadas gregas (776 a.C.), a Hégira (fuga de Maomé de Meca para Medina em 622). A era cristã é o nascimento de Cristo cuja data verdadeira seria pelo menos quatro anos anterior à proposta por Dionísio: 25 de dezembro do ano 753 da fundação de Roma. Além disso, os cronologistas retardaram sete dias o início da era cristã, para que coincidisse com o início do ano 754 da fundação de Roma. No fim das contas ficou consagrado que a era cristã é o instante que separa o fim do ano 753 da fundação de Roma (ou 1 a.C.), do início do ano 1 d.C..
No século 15, desencontro entre calendário e início da primavera triplicou e criou insatisfação popular.
No século 15, já em pleno Renascimento, a discrepância entre o calendário e o início da primavera tinha triplicado e as queixas aumentaram. Então o papa Sisto IV chamou para Roma o astrônomo Johannes Miller, mais conhecido como Regiomontanus, pois era de Königsberg (Kaliningrado), para assessorá-lo. Mas Regiomontanus morreu em 1476 sem completar a reforma. Reivindicada no encerramento do Concílio de Trento em 1563, ela foi finalmente realizada pelo papa Gregório XIII, em 1582, com a assessoria do jesuíta e astrônomo alemão Christoph Clavius (1537-1612). Foram editadas as regras para o futuro e providenciadas as correções para os erros do passado. No ano da reforma, o equinócio caia no dia 11 de março, dez dias antes do dia prescrito pelo Concílio de Nicéia. O papa decretou em 24 de fevereiro de 1582 pela bula pontifícia, Inter gravissimas, que o dia seguinte à quinta-feira, 4 de outubro, seria a sexta-feira, 15 de outubro de 1582. Assim, a partir de 1583, o equinócio da primavera voltou a cair no dia 21 de março. As regras a serem seguidas se baseavam numa representação aproximada da parte fracionária do ano trópico através da seguinte série de frações ordinárias:
O termo + era o último da reforma juliana. O termo 1/100 com sinal negativo significa que a cada século um ano bissexto deve ser omitido, mas o termo 1/400 com sinal positivo indica que a exclusão
anterior deve ser omitida a cada quatro séculos. Um excesso na aproximação de 0,0003 = 3/10000 significa que, em 10 milênios, o equinócio terá três dias de antecedência!
GREGÓRIO XIII compartilha, em reunião, novo calendário em pintura anônima.


Diminuição da rotação da Terra

Eventuais variações do ano trópico são menos importantes que o aumento da duração do dia solar por causa da diminuição secular da rotação da Terra. Por isso, em 1900, o segundo de tempo, antes definido como 1/(24x60x60) = 1/86400 do dia solar médio, passou a ser definido como 1/31556925,9747 do ano trópico de 1900. Mas, com o advento dos relógios atômicos, a partir de 1967, o segundo passou a ser definido como a duração de 9192631770 períodos de oscilação da radiação correspondente à transição quântica entre dois níveis hiperfinos do estado fundamental do átomo do isótopo 133 do Césio.
Estima-se que a duração do dia solar médio aumenta atualmente cerca de 0,0005 segundo por século, tendo como causa principal a diminuição da rotação da Terra. Esta é causada pela transferência da rotação da Terra, via marés, ao movimento orbital da Lua. Conseqüentemente, a Lua afasta-se da Terra cerca de quatro centímetros por ano. Mas o efeito cumulativo da diminuição da rotação da Terra cresce proporcionalmente, não ao tempo, mas ao seu quadrado. As confirmações mais convincentes vêm da análise de registros de eclipses totais do Sol ocorridos há vários milênios. Há um milênio, o erro acumulado era da ordem de uma hora, há dois milênios, da ordem de quatro horas, e assim por diante. Sedimentos modulados pelas marés, portanto pelo movimento da Lua há 900 milhões de anos, indicam que o dia então durava apenas 18 horas e o ano tinha 480 dias. Em 10 mil anos, o erro acumulado será de 100 horas, isto é, mais de quatro dias. Portanto, não vale a pena encetar uma reforma do calendário para introduzir a fração seguinte pois, a atual diminuição da rotação da Terra já dará conta disso até em excesso.

SIMILARIDADES NA CONTAGEM DO TEMPO
CALENDÁRIO SOLAR ASTECA composto de 365 dias formado por 18 meses de 20 dias mais cinco dias "ocos"
CALENDÁRIO MAIA teve quatro versões válidas para o ano cível, religioso e dois de períodos mais longos. Um de 52 anos e outro de milhares de anos.
RESULTADO DA REFORMA feita em 1582 pelo papa Gregório XIII, o calendário gregoriano atual também de 365 dias. Defasagem à época da reforma fez com que o dia 4 de outubro de 1582 fosse considerado o 15 de outubro.


O AUTOR
OSCAR MATSUURA, astrofísico do Sistema Solar e físico de plasma é pesquisador aposentado do Instituto de Astronomia Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo (USP). Autor, entre outros livros de Educação e Ciência e Cometas: do Mito à Ciência, dedica-se atualmente à história da ciência.

PARA CONHECER MAIS
Boczko, Roberto: "Contribuição da Astronomia para a Formação dos Calendários". Perspicillum, 7, 1, 41-56 (1993)
Bureau des Longitudes: Éphémérides Astronomiques 1996,
Chapitre Premier, 17-38, Masson, Paris (1995)
Couderc, Paul: "Le Calendrier", Que Sais-Je?, Presses
Universitaires de France, Paris (1948)
Donato, Hernâni: História do Calendário, Série
Prisma-Brasil, Edições Melhoramentos, São Paulo (1976)
http://www.pauahtun.org/CalendarFAQ/
Tourinho, Plinio Alves Monteiro: Tratado de Astronomia,
Volume II, 598-608, Gráfica Mundial Ltda., Curitiba (1960)



Canções Infantis Brasileiras

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CANÇÕES INFANTIS BRASILEIRAS

 

Aspectos psicológicos

 

Conta, um brasileiro que está morando nos Estados Unidos da América, que, para ajudar no orçamento, está prestando serviço de babá.

Numa noite, conta ele, "cantei 'boi da cara preta' para uma das meninas de quem cuidava, antes dela dormir. Ela adorou, e essa passou a ser a música que sempre pedia para eu cantar ao colocá-la na cama.

Antes de adotarmos o 'boi, boi, boi' como canção de ninar, a canção que cantávamos, em inglês, dizia algo como: 'boa noite, linda menina, durma bem. Sonhos doces venham para você, sonhos doces por toda noite'... Que lindo, não é mesmo?

Eis que um dia Mary Helen me perguntou o que as palavras da música 'boi da cara preta' queriam dizer em inglês. Foi aí que me dei conta de que não deveria falar a verdade sobre a letra da música.

Como dizer que, na verdade, a música 'boi da cara preta' era uma ameaça,era algo como 'durma logo, menina, senão o boi vem te comer'? Como explicar que eu estava tentando fazer com que ela dormisse com uma música que incita um bovino de cor negra a pegar uma cândida menina?" Ao mentir para a garota, começou a pensar em outras canções infantis, pois não se sentiria bem, ameaçando a menina com um temível boi toda noite...

E o moço pensou consigo mesmo: "que tal! 'nana neném que a cuca vai pegar... ?' Outra ameaça! Agora com um ser ainda mais maligno que um boi preto!

Depois de uma frustrante busca por uma canção infantil do folclore brasileiro que fosse positiva, e de uma longa reflexão, o rapaz se deu conta de que a maioria delas é imprópria e pode gerar traumas na criança. Várias letras vieram a sua mente, mas a maioria era imprópria para quem deseja serenar a alma de uma criança, ao colocá-la para dormir.

"Atirei o pau no gato", por exemplo. Para começar, esse clássico do cancioneiro infantil é uma demonstração clara de falta de respeito aos animais e de crueldade.

"Eu sou pobre, pobre, pobre, de marré, marré, marré". Essa canção coloca a realidade vergonhosa da desigualdade social em versos tão doces.

"Marcha soldado, cabeça de papel! Quem não marchar direito, vai preso pro quartel." Uma ameaça.

"A canoa virou, foi pro fundo do mar, foi por causa do fulano que não soube remar." Ao invés de incentivar o trabalho de equipe e o apoio mútuo, as crianças brasileiras aprendem a condenar o semelhante.

"Samba-lelê tá doente, tá com a cabeça quebrada. Samba-lelê precisava é de umas boas palmadas." A pessoa, conhecida como samba-lelê, encontra-se com a saúde debilitada, necessita de cuidados médicos mas, ao invés de compaixão e apoio, a música diz que ela precisa de palmadas!

"O anel que tu me deste era vidro e se quebrou. O amor que tu me tinhas era pouco e se acabou..." Essa canção diz que o amor não vale a pena, pois é falso e frágil.

"O cravo brigou com a rosa debaixo de uma sacada; o cravo saiu ferido e a rosa despedaçada. O cravo ficou doente, a rosa foi visitar; o cravo teve um desmaio, a rosa pôs-se a chorar" Desgraça e mais desgraça, e ainda incita a violência conjugal. Como crescer e acreditar no amor e no casamento depois de ouvir essas passagens anos a fio?

Importante pensar com carinho sobre o que queremos passar de informação aos nossos pequenos. Se eles crescem ouvindo palavras amargas, violentas e deprimentes, certamente construirão na intimidade imagens que traduzem essas idéias infelizes.

Se, ao contrário, ouvem palavras de afeto, de bem-querer, de confiança, de esperança e harmonia, edificarão na alma um mundo correspondente.

Pense nisso!

As crianças são emprestadas aos pais, pelo Criador, para que esses as ajudem a evoluir no caminho do bem.

Sendo assim, faça o melhor pelos seus filhos e educandos, pois chegará o dia em que terá que prestar contas dessa nobre missão que lhe foi confiada.

Pense nisso!

 

Sérgio Campos

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